Em defesa do desarmamento

Antes de mais nada, vou repetir uma frase que vi por aí: Nosso nível de civilidade pode ser visto quando nos deparamos com a barbárie.


Agora vamos começar.

Nunca imaginei dizer isso, mas concordo com o senador Renan Calheiros quando ele diz que a pergunta feita no referendo sobre o desarmamento em 2005 foi confusa e isso foi um dos fatores responsável pelo resultado.

O debate acerca do desarmamento, ressuscitado após a tragédia em Realengo, é fundamental, apesar de muitos considerarem oportunismo daqueles que o defendem. Talvez seja mesmo. Mas vamos pensar: qual é a vantagem, ou seja, a “oportunidade”, daqueles que defendem o desarmamento? Nenhuma. Quem defende o desarmamento, assim como eu, não vai ganhar dinheiro com isso. Ganhará, no máximo, empresários da indústria de armas como inimigos.

Enfim, se é oportunismo, que seja, somos oportunistas. Talvez seja a grande oportunidade do Brasil avançar os passos que retrocedeu em 2005.

Mas vamos pensar porque isso é um avanço...

Cerca de 50 mil pessoas morrem no Brasil, por ano, por uso de arma de fogo. De onde vem essas armas? Não, não é do comércio legal. A maioria dessas armas vem do contrabando e outra parte vem é desviada da polícia e das Forças Armadas. Por conta disso, quem argumenta contra o desarmamento o desmerece, “pois não vai acabar com as mortes”.

Bom, realmente não vai acabar. Mas vai diminuir, e muito. A vida de uma criança que pegou a arma do pai a acabou atirando em si mesma já valeria.

O desarmamento também não deve ser a única solução. A polícia e o Exército, por exemplo, precisam controlar melhor a entrada e a saída do arsenal e seus depósitos. (Aliás, outra discussão a ser feita é sobre o desarmamento da polícia e a substituição por armas não-letais. Mas essa é outra discussão.) Além disso, o contrabando precisa ser combatido. Não é porque existe que deve ser aceito. Polícia Federal e Exército estão aí pra isso.

O cálculo é simples: diminuindo o número de armas diminui-se o número de mortes.

Outro argumento dos defensores do uso de armas refere-se ao dinheiro gerado pela indústria de armas em impostos. Bom, e o dinheiro que custa ao Estado em saúde, assistência, segurança? Há outras formas de ganhar dinheiro, produzindo alimentos, bens, arte etc.

De qualquer forma, mesmo que gerasse muito dinheiro e empregos, a indústria deve ser combatida. Porque gera mortes. Assim como a indústria do cigarro, da bebida e do automóvel.

Perá lá! Então quer dizer que como não vai acabar a três últimas citadas, vamos deixar a de armas também? É tudo a mesma coisa?

Bom, esse é um debate a ser feito. Você não fuma um cigarro e morre, apesar de milhares de pessoas morrerem todos os anos por causa dele. Você não bebe uma cerveja e mata alguém, apesar de milhares de vidas terem sido ceifadas por causa da combinação bebida e trânsito. Você não aprende a matar quando aprende a dirigir.

Já a indústria de armas trabalha diretamente com a morte. A morte é a razão da arma existir. Ela precisa ser combatida o quanto antes. É necessário combater o vício do cigarro, o alcoolismo e também o trânsito violento e inseguro, mas, principalmente, a indústria da morte, que não tem outra motivação para existir.

Em 2005, defendeu-se o direito dos “cidadãos de bem” portarem arma. Ora, em primeiro lugar, o que é um cidadão de bem? Geralmente, quem se entitula assim é o tipo mais nefasto de pessoa. Em segundo lugar, quem aqui conhece alguma pessoa boa que tenha ou deseja ter arma?

Fique claro que uma pessoa boa é muito diferente de um cidadão de bem. A maioria das pessoas, dos cidadãos, não deseja ter uma arma em casa. Longe disso. Desejam isso as pessoas com pré-disposição à violência, seja como ato ou como imagem. Claro, deve haver excessões. Mas essas pessoas que simplesmente admiram o objeto, a prática, podem sobreviver sem uma arma em casa.

Sendo assim, não vejo razão para que o comércio de armas continuar a existir. A diminuição de armas nas ruas é proporcional à diminuição do número de mortes. Os únicos beneficiados com o comércio de armas são as indústrias. Elas que financiam a campanha contra o desarmamento. Foi assim em 2005. Preste bem atenção em quem irá defender essa indústria, principalmente os políticos. Talvez algum deles enriqueça um pouco mais de uma hora para outra.

Caso haja um plebiscito, cabe a você ir às urnas e decidir.


O desarmamento impediria a tragédia em Realengo?

Nunca saberemos. Se tivessemos que apostar, eu diria que não. A tragédia aconteceu por causa de uma mente doentia. Na minha opinião, o Estado também tem responsabilidade. Não tem culpa, mas tem responsabilidade. Mentes doentias precisam de diagnóstico e tratamento. A sociedade está doente. É preciso tratá-la. O que aconteceu em Realengo foi um sintoma dessa doença.

Contudo, imagino que se o acesso a armas tivesse sido dificultado há seis anos, talvez o atirador, que comprou as armas com o dinheiro do próprio salário, não tivesse condições de comprar duas armas e 60 balas. Posso estar errado, mas pra isso isso parece claro como água.

9 comentários:

  1. A argumentação ignora um ponto: comprar legalmente uma arma no Brasil, hoje, já é quase impossível. Temos uma boa legislação sobre isso. O que não impede que qualquer pessoa que queira comprar uma arma consiga, ilegamente (como quem quer comprar drogas ou dvds piratas consegue, embora sejam proibidos, né?).

    Endurecer ainda mais a lei é colocar uma fechadura mais forte na porta da casa que tem as janelas todas arrombadas.

    A agenda está errada.

    Não é a proibição da venda legal de armas que deve ser discutida agora. Acabamos de discuti-la. Ou vão ser feitos plebiscitos periódicos até o SIM ganhar?

    E não existe "oportunismo do bem". Um grupo quer aplicar sua agenda ideológica com base em um episódio que abalou o país. Não importa que não caia dinheiro na conta deles depois. São oportunistas.

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  2. Salve, Upiara.
    Meu medo é que tu sempre leia os meus textos, o que se confirmou. Hahaha.

    A argumentação passa por reto por este ponto por falha de memória. Mas vamos lá.

    Comprar uma arma é difícil, sim, por causa de uma legislação rigorosa (não tanto quanto eu gostaria). Mas a quem interessa ter uma arma? Colecionadores? Bom, é difícil ter uma arma, mas pra que ter uma arma. É nesse ponto que eu imagino responder a questão, talvez não de maneira satisfatória.

    Mas vamos supor que um sujeito, por qualquer motivo, ou sem motivo, queira ter uma arma, sei lá, pra bonito. Quem me garante o teste psicológico é o suficiente, à prova de um "bom psicopata"? Um Ripley, um Lecter (foi mal, só conheço bons psicopatas na ficção).

    Há clubes de tiro pra quem quer brincar com arma.

    Como dizia o Chaves, só um tolo responde uma pergunta com outra, mas eu retorno à questão: a finalidade da arma é a morte e não a segurança. Pra que comercializa-la?


    Agora, sobre fazer plebiscitos até o sim ganhar, por isso que eu disse concordar com o Renan Calheiros. Aquela pergunta foi uma vergonha, aquele debate foi uma vergonha. Sim, a questão tem que ser rediscutida a exaustão. Por mim, eu tacava um decreto, mas assim não rola, então vamos provocar o debate.

    Porque é preciso discutir. O que se discute no Brasil hoje, em alto nível? Nada. Só se discute em blog, em microblog! O que se escreve no Brasil hoje? Quem é o grande sociólogo brasileiro da atualidade. Vamos citar três.

    ...

    É necessário discutir tudo. A questão da violência, atrelada à desigualdade, é a pauta do dia. Alguns setores discutem, mas a maioria ignora. Tropa de Elite resolve, 12 UPPs no Rio resolvem? Ajudam, mas é nada comparado ao que precisa ser feito, ao que o país e a sociedade precisam fazer.

    Inconformar-se com isso é aplicar uma agenda ideológica? Eu não acho que seja oportunismo. Usei o termo como resposta àqueles que chamam de oportunismo. Ou seja: se isso é oportunismo, somos oportunistas.

    Pra mim, não é. Pra mim é uma discussão necessária.

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  3. Boa noite.

    Eu acredito que é preciso sim refazer o marco regulatório do comércio de armas.

    Essa semana conversava com um empresário do ramo de segurança patrimonial que disse que seus vigilantes não podem ir atender às ocorrências armados.

    Isso é um disparate. Se há um bandido armado (ele vai comprar, com ou sem a legalidade da venda) contra um vigilante desarmado, é um perigo tremendo à vida do profissional.

    Eu sou favorável ao desarmamento civil, mas com a ressalva dos agentes de segurança públicos e privados poderem andar armados.

    Há também que se pensar em algumas exceções que eu não saberia elencar, como participantes de Serviço de Proteção às Testemunhas. Sou leigo, isso é fato.

    De qualquer modo, penso que a tragédia do Realengo aconteceria com a venda de armas legal ou não. Como você disse, a mente doentia causou a tragédia, não a arma.

    Com raríssimas exceções, a arma não dispara sem intenção do portador.

    Quanto ao posicionamento, sou favorável ao desarmamento civil ou simplesmente a uma rediscussão do marco legal da venda de armas.

    :)

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  4. Eu falo de uma questão pontual: a proibição à venda legal de armas. Não está na agenda do país desde que a população votou pelo Não em 2005.

    O que está na agenda do país é a venda ilegal de armas. Essa, plebiscito nenhum resolve.

    Não acho que pessoas devam poder comprar armas.

    Mas não aceito que se use a comoção causada por essa tragédia para colocar o tema na pauta. É oportunismo, sim. E quem é oportunista na defesa dos ideais é mais perigoso do que os que fazem por dinheiro. Porque ele age como a certeza absoluta de que está certo. Hoje nossos ideais convergem, amanhã talvez não. E ele vai continuar oportunista.

    Não aceito um artício que condeno só porque beneficia uma tese que defendo. A morte das 12 crianças não tem ligação alguma com a venda legal de armas.

    Não dá pra escolher a ética a granel.

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  5. Concordo com você, Guilherme, sobre as pessoas que trabalham com segurança. Claro, esse serviço deve ser melhor fiscalizado e qualificado, como falei da polícia e das forças armadas.

    Upiara, quanto a mim, ética não é questão de escolha. O que tenho lido, os debates que frequento, o que vejo no noticiário, tudo isso discute a segurança pública como ponto principal da pauta. O problema é que eu leio a Caros Amigos, onde isso sempre é assunto. Neste mesmo blog tu podes ver um texto sobre violência.

    Agora, a questão entrou na pauta nacional por causa das crianças mortas em Realengo. Eu não posso negar a discussão que já vinha fazendo. A discussão sobre a venda ilegal de armas passa pela questão da venda legal, e eu falo disso no texto.

    O que eu posso dizer quando vi o Rodrigo Pimentel falar na TV que a tragédia tem relação com a venda de armas e citar o referendo de 2005?

    A tragédia tem relação com a violência na sociedade brasileira e a violência tem a ver com questão da venda de armas.

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  6. Eu não falei da discussão da violência. Esse é um dos principais pontos da agenda do país.

    O que eu critico é o uso da tragédia para viabilizar uma revanche pontual na discussão sobre as venda legal de armas.

    Está se usando o massacre pra legitimar um novo plebiscito. Ofende à lógica e ao estômago.

    À lógica, porque dá a entender que Wellington tinha porte de arma e que foi a uma loja comprar dois revólveres e 60 balas. Antes tivesse sido, teríamos quem culpar. Mas não estamos em Columbine

    Ao estômago, porque mostra um "oportunismo positivo". Gente querendo aproveitar o sangue derramado para lançar e defender um tese que considera justa. Eu também acho que pessoas não poderiam comprar armas.

    Mas sabe quantas pessoas tiveram direito a porte de armas concedido no estado de SP em todo o ano de 2009?

    72 pessoas. No resto do Brasil, cerca de 1,2 mil.

    É aí que está o centro do debate da violência no Brasil? E por essa luta que vai se usar, oportunisticamente, as 12 crianças mortas em Realengo?

    É por isso que falei em ética a granel. Minha ética me impede de fechar os olhos pros meios quando os fins me são interessantes. Não existem oportunismos positivos. Existe oportunismo. E sou contra.

    (Agora, engraçado, você é a favor de armas para vigilantes privados. Deus me livre do dia em que um segurança de balada vai ter direito a andar armado, deus me livre)

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  7. Passei quase uma hora escrevendo a resposta e a perdi na hora de postar. Nunca odiei tanto esse computador.

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  8. Upiara, pelo comentário, parece que tu não leu o texto, pq fala de aspectos que eu abordei nele. Mesmo assim, asseguro que entendi a tua crítica desde a primeira vez que a fizeste ("uso da tragédia para viabilizar uma revanche pontual na discussão sobre as venda legal de armas.") e também de que não é a favor de as pessoas possuirem armas.

    Dito isso, vou responder sobre as duas ofensas.


    1. Em nenhum momento dou a entender que Wellington tinha porte de arma e as comprou em loja. Dizer isso é má vontade. O texto é claro quando diz que a proibição não vai acabar com as mortes e fala de outras causas, fontes. Diz ainda que as armas vem principalmente do contrabando e dos desvios das forças policiais e armadas. O texto defende, sim, que a proibição do comércio de armas diminuirá a circulação de armas. E isso já ajuda. Está lá.

    2. Sobre o "oportunismo positivo". Talvez isso não esteja claro, mas no texto eu não assumo o debate como oportunismo. Nem negativo nem positivo. Mesmo pq não existe positivo. O que eu faço é dizer: se querem chamar de oportunismo, que chamem.

    O que aconteceu em Realengo é um problema de violência. Foi o ápice deste problema. Quem se interessa pela questão e a vê como um dos principais problemas do país, e eu sou uma dessas pessoas, acredita que essa discussão é sempre urgente. Essa discussão é feita, está sendo feita sempre, mas as pessoas não dão bola. Talvez eu esteja lendo as coisas erradas, mas essa discussão, em algum lugar, é feita. E o desarmamento é um ponto central da questão da violência. Agora, se isso é oportunismo... porramm, não sei o que é tá na pior.

    Oportunismo é transformar policial em herói e jogar a sujeira pra baixo do tapete.

    Sabe quanta gente morre todo os dias por arma de fogo no Brasil?
    Cerca de 110.

    No Brasil, a cada 100 mil pessoas, 27 morrem por arma de fogo. Nos EUA é 10.

    Proibir o comércio acaba com isso? Não. Mas ajuda. Combater o comércio ilegal ajuda? Bastante. Promover a igualdade social ajuda. Muito.

    O texto é claro quanto a isso, quando diz que o desarmamento não é solução, mas é um avanço. Agora, dizer que fazer esse debate é "usar, oportunisticamente, as 12 crianças mortas" é uma inversão. Devemos debater sem falar em desarmamento, então, já que a violência é uma questão central?

    Eu, ao menos, não estou fechando os olhos pros meios pra chegar a um fim desejável. Eu não estou usando a morte das crianças pra emocionar ninguém com a intenção de votar a favor do desarmamento. Eu estou fazendo um debate que já vem há tempos sendo feito e que ganhou força com a tragédia. Se isso é escolher a ética quando bem entender, não tenho como provar o contrário.

    (Sobre os seguranças, o projeto do desarmamento fala sobre quem poderá usar arma de fogo. Tenho que pesquisar, mas, se não me engano, fala em policiais, militares e profissionais de segurança. Logicamente, não são seguranças de balada nem de shopping. Mas tenho certeza que tu entendeu isso e resolveu fazer uma brincadeira pra descontrair.)

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  9. Concordo com Upiara quando diz que há oportunismo dos que usam a tragédia para defender seus ideais.

    Estou longe de querer defender minhas ideias diante de dois entendidos de Jornalismo, mas penso que a tragédia está dando sim um prato cheio aos oportunistas.

    Oportunismo 1 - Soube que a mãe daquela menina Isabela Nardoni foi ao velório das crianças do Realengo. Pergunto: O QUE ESSA MULHER TEM A VER? Não tenho como afirmar que ela foi por oportunismo. Mas é fato que morrem milhares de crianças e jovens em grandes tragédias individuais ou pequenamente coletivas todos os meses. Será que ela vai a estes velórios também? E o fato de ela ter se filiado a um partido político recentemente, pode indicar desejo de concorrer e de estar usando a mídia que já a tinha esquecido? E quantos políticos não foram fazer uso da dor alheia para se promoverem? Isso revolta e machuca. "Ofende ao estômago".

    Oportunismo 2 - E a polícia, que como disse o Felipe também foi oportunista ao promover os "heróis do Realengo". E os caras que invadem as favelas todos os dias? E os que combatem as rebeliões nas cadeias? E que estão fechando bocas de fumo, os que estão atuando no desmanche de carros, no tráfico de entorpecentes? Mas como aqueles foram notícia nacional, o povo lava a alma e enaltece a polícia. Foi um ato de bravura? Creio que sim. Mas o que questiono e acredito que motivou o Felipe a fazê-lo também é: e os outros vários atos de bravura dos policiais Brasil afora, não merecem promoção por quê? A mídia é o balizador das promoções policiais?

    Oportunismo 3 - dos idealistas do desarmamento. Creio que ninguém tem coragem de dizer que a venda legal de armas causou os crimes do Realengo. A venda ao rapaz foi ilegal, tanto que prenderam os vendedores. Então com ou sem desarmamento a tragédia não teria sido evitada. Creio sim que houve oportunismo neste ponto, embora eu não afirme que seja seu caso, Felipe, pois o acompanho no blog e no Twitter.

    Participo de uma ONG com atuação nacional, e amigos meus perguntaram: o que podemos fazer diante deste quadro?

    Minha resposta foi:

    No caso deste rapaz, parece-me fruto de uma mente doente e de desestruturação ambiental. Foi um caso peculiar, não muito comum. Mas o que podemos fazer diante da violência? A pergunta que creio deve ser feita é:

    Quais são as causas da violência? Porque 110 pessoas morrem todos os dias por conta de armas de fogo no país?

    Minha visão: drogas, pobreza e falta de oportunidades, desestruturação familiar e educação insuficiente (em tempo e em qualidade). Vejam que os temas se interrelacionam.

    É buscando atuar nas causas - que ao meu ver são as acima - que se combate as consequências com efeito permanente.

    E muito embora eu não tenha computado a venda legal de armas no Brasil como motivo, volto a declarar-me partidário do desarmamento civil, com as devidas exceções que comentei no primeiro post.

    Se é conveniente fazer um plebiscito ou referendo são outros quinhentos. Ao meu ver leigo, não.

    Abraços.

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